
Espiritismo!
Por Jaire C. Guimarães*
Hoje compreendo que não é e nunca foi fácil as coisas caminharem no rumo à luz.
São muitas veredas, muitas coisas tão simples e às vezes tão complexas, que nos fazem entender o porquê de precisarmos de tantas reencarnações.
O ser humano não é fácil!
E as coisas não mudam, enquanto espíritos errantes e quando desencarnamos, e, talvez por isso, as coisas sejam tão entrelaçadas, o espiritual com o material.
Uma casa de oração, deveria ser uma busca incessante pela evolução e infelizmente, não é assim!
Nesta seara, coloco todas as religiões!
Falamos nosso entendimento nas leituras do evangelho, mas, ficam apenas nas palavras, as ações não chegam ou ficam intangíveis, num imaginário fantasioso ou fantástico.
Somos impelidos pelo impetuoso e implacável círculo vicioso da vida.
E a culpa é de quem dirige? Não!
Ainda somos seres imperfeitos e esse caminho tortuoso em direção à luz, talvez seja necessário para que se compreenda sozinho e aí talvez seja o sentido, embora eu não concorde.
Meu imaginário ou minha compreensão, seria de apontar os erros e talvez com uma atitude parecida com a de Jesus, quando da expulsão dos mercadores do templo.
Hoje, os mercadores estão entre nós, com toda sorte de ofertas de facilidades e felicidades, mas quem manobra o chicote para afugenta-lós, será compreendido?
Será repreendido quem toca o cajado na rocha, quem estala o chicote ou quem somente observa?
Enfim, aprender ….
… mas o que fazer com o que aprendemos?
Difícil de explicar, porque se vivemos só, isolados, sem nos preocuparmos com os problemas dos outros, teríamos uma vida sem sentido, em vão.
Mas quando dispomos a sermos úteis, somos calados.
Então, o que fazer?
Como proceder?
Nesse momento, me lembro de uma tatuagem que vi em uma atendente:
O que Jesus faria?
Talvez ele responderia:
O ser humano não é fácil!
Jairo Guimarães - aprendiz
*Jaire C. Guimarães
Diretor de ensino do CFC Alternativa em Torixoréu-MT.

COMPROMISSO DO CIDADÃO: NÃO DEIXE ROUBAR O SEU DIREITO.
Por Gilvany Caetano de Brito*
As eleições batem à porta e trazem o exercício do direito de votar e ser votado, a garantia mais fundamental da nossa Constituição de 1988 (Art. 14). O momento exige cautela, ponderação e liberdade de escolha do voto, que é a expressão maior da sua cidadania.
É importante destacar que o voto define a nossa realidade prática. É o seu voto que determina as condições para um trabalho digno a todos os trabalhadores, uma educação de qualidade para seu filho, o acesso ao tratamento de saúde para a sua família, o destino dos produtores e até o básico direito de se alimentar de forma justa e digna. O voto é a ferramenta que nos permite sonhar e realizar.
FIQUE ESPERTO! OLHE PARA O PASSADO, VEJA O PRESENTE, MAS, SOBRETUDO, IDENTIFIQUE O FUTURO. O cuidado deve ser rigoroso: NÃO se deixe enganar por notícias falsas que tentam manipular o debate público. Escolha com serenidade, discernimento e informação verídica, longe de pressões (quaisquer que sejam) e medos fabricados. O futuro do país e da sua comunidade está NAS SUAS MÃOS!
Para votar com segurança, consulte sempre o portal do Tribunal Superior Eleitoral (tse.jus.br)
*#RadioTerraNova #Eleicoes #VotoConsciente #Democracia #Constituicao #InformacaoDeVerdade #CombateAsFakeNews*
*Gilvany Caetano de Brito
Professor, advogado especialista em Direito Constitucional.

METAMORFOSE
Por José Araújo* - Conteúdo Sensível – História Ficcional
São quarenta anos de casada, criou um casal de filhos junto ao companheiro que para ela era seu porto seguro. Amável, carinhoso, excelente pai e marido. Morreu! Não de uma vez, aos poucos. Primeiro começou a sair e beber com os amigos, chegar tarde em casa. Deixou de jantar com ela. Depois a viajar cada vez mais longe. Perguntado, desconversava, alegava compromissos de trabalho.
Ela, antes sentada com eles na mesa de jantar agora observa o prato dele vazio, frio, ouvindo o tinir dos talheres ecoando no vazio.
Sessenta e dois anos, uma vida de lutas ao lado dele, trabalhou em casa alheia como faxineira para ajudar nas despesas da própria casa que também faxinava sem deixar nada por fazer. Ficou assim por alguns anos, depois com ajuda dele abriu uma pequena venda, ampliou para um mercado e trabalhou lá por mais trinta anos, criou os filhos, acreditou que agora idosa poderia seguir o resto dos seus dias na companhia daquele homem que para ela era mais do que um marido.
Ele não quis! Ela descobriu que as viagens a trabalho eram, na verdade, encontros em motéis da região com as mais diversas mulheres mais novas do que ele.
Ela tentou! Fez de tudo para salvar o casamento. Nos raros momentos que ele passava em casa ela dizia que sabia, que voltasse para casa. Era chamada de louca. Que precisa se internar. Perdoou reiteradas vezes. Ele, que nunca tinha levantado a voz para ela, passou a chegar em casa embriagado, tropeçando sobre os móveis e o piso limpo, totalmente transformado, agressivo. Quando não agredia, se jogava no sofá. Quanto mais ela lutava e brigava, mais ele se esquivava.
O filho mais velho, convivendo ainda com aquela situação, caiu em depressão ao defender a mãe das agressões por tantas vezes. O marido insistia, apesar da idade parecia estar vivendo o auge da adolescência descompromissada. O filho, mentalmente abalado, acidentou-se de moto. Bateu a cabeça no asfalto seco e duro. Ficou desacordado, perdeu a memória. Ela, como toda mãe que tem na prole a projeção da própria existência, suportou o cálice da dor, da angústia, da solidão, sorvendo a cada dia a amargura de sozinha cuidar do filho adulto que voltou a ser criança.
O pai não se importou. Simplesmente nada o podia tirar daquele devaneio. Quando o dinheiro acabou, começou a agredir ela em busca de dinheiro. Foi aí que ela buscou a justiça, disse basta! O denunciou na delegacia da mulher; então, por agressão, foi preso, e ela ganhou uma medida protetiva contra ele. Por um ano e meio ficou preso. Ao sair da cadeia, não demorou uma semana e voltou a agredir. Dessa vez quase a mata. Novamente foi preso e segue trancado como um animal irracional.
Ela, hoje cansada, olhar triste, sem saber o que transformou seu parceiro antes admirado em um adversário, lembra dos tempos bons com lágrimas nos olhos.
O filho, recuperado, para a moto em frente ao mercado, tira o capacete, ela que antes varria a calçada o olha com um sorriso.
OBS: Se você é vítima ou conhece alguém vítima de violência doméstica, denúncie, ligue 180 ou procure a delegacia mais próxima. Se você gostou do texto, apoie o meu trabalho. Compartilhe com todos os seus contatos. Vamos juntos fazer um mundo melhor!
*José Araújo é escritor,
Advogado, Diretor Geral do Portal de Notícias Terra Nova.

A ESTUPIDEZ DE SABER TUDO.
Por Jesivaldo Aragão*
A maior estupidez do ser humano moderno não é desconhecer alguma coisa, mas acreditar que já sabe de tudo. Carrega no bolso uma máquina capaz de responder quase qualquer pergunta e, por isso, comete o engano de imaginar que as respostas dela também habitam sua consciência.
Confundimos o acesso à informação com a sabedoria. Pesquisamos em segundos aquilo que os antigos levaram uma vida inteira para compreender — e ainda assim, muitas vezes, compreendemos menos.
Sócrates, diante da imensidão do conhecimento, escolheu a humildade. “Só sei que nada sei.” O ignorante de ontem sabia que precisava aprender. O ignorante moderno corre um risco maior: ele já se considera sábio.
E quando alguém acredita saber tudo, fecha a última porta pela qual a sabedoria poderia entrar: a dúvida.
Talvez a verdadeira inteligência não esteja em possuir todas as respostas, mas em conservar a coragem de fazer perguntas.
Porque aquele que diz “não sei” ainda pode aprender. Mas aquele que acredita saber tudo transformou sua própria certeza na prisão de sua inteligência.
*Jesivaldo Aragão é escritor, poeta e servidor público estadual do DETRAN-MT, atua na CIRETRAN de Peixoto de Azevedo.

Artigo de Opinião / Alerta de Saúde
O perigo das "fórmulas mágicas" e o que o seu corpo realmente está tentando te dizer
Por Dr. Rubens Novais / Clínico Geral do SUS.*
Todos os dias, a porta do meu consultório na Unidade Básica de Saúde se abre e vejo rostos cansados. Pessoas trabalhadoras, pais e mães de família que chegam trazendo a mesma queixa: "Doutor, não durmo direito, vivo ansioso, meu corpo dói e não consigo perder peso. Tem um remédio para me ajudar?"
Vivemos em uma época em que tudo precisa ser rápido. Se o sinal da internet oscila, nos estressamos. Se o peso na balança não cai em uma semana, buscamos o "remédio da moda" recomendado no grupo de mensagens ou na rede social. E é exatamente aí que mora um perigo silencioso que tem lotado os nossos postos de saúde.
Como clínico geral do SUS, meu dever não é apenas passar uma receita e mandar o paciente embora; é olhar nos olhos e dizer a verdade. E a verdade é que não existe atalho mágico para a saúde.
A ilusão da caneta milagrosa.
Nos últimos tempos, assistimos a uma corrida desesperada por canetas emagrecedoras, diuréticos e calmantes sem prescrição adequada. O que muitos não sabem — ou fingem não ver — é o preço alto que o organismo paga depois. Remédios sem acompanhamento médico podem gerar efeito rebote, arritmias cardíacas, lesões no fígado e um ciclo de ansiedade ainda pior do que o inicial.
O remédio que funcionou para o seu vizinho pode ser o mesmo que vai descompensar a sua pressão arterial. A saúde não é uma receita de bolo que serve para todo mundo.
O estresse que adoece.
O corpo humano fala. Antes de uma pressão subir ou de um diabetes descompensar, o corpo avisa através do cansaço excessivo, da dor de cabeça constante, do sono picado e da compulsão alimentar. A rotina pesada do interior e das grandes cidades cobra seu preço. Mas tentar "anestesiar" esses sinais com medicação por conta própria é o mesmo que desligar o alarme de incêndio da sua casa enquanto ela ainda está pegando fogo.
Voltando ao básico que funciona.
Saúde de verdade não se compra na farmácia em potes coloridos. O verdadeiro remédio está no que chamamos de Atenção Primária:
• Comida de verdade: Menos ultra processados e produtos industrializados; mais o que vem da nossa terra.
• Movimento: Uma caminhada diária de 30 minutos já transforma a química do seu cérebro e melhora o seu coração.
• Escuta e descanso: Priorizar o sono e ter momentos de lazer com a família não é luxo, é medicina preventiva.
Se você sente que seu corpo está pedindo socorro, não procure a solução na prateleira ou na opinião de leigos. Procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima da sua casa. O SUS tem profissionais preparados para te ouvir, examinar e indicar o caminho correto e seguro.
Cuidar de si mesmo exige tempo e paciência. Não troque a sua vida por uma promessa de resultado rápido.
* Dr. Rubens Novais é médico, clínico geral e médico da família na Unidade Básica de Saúde Marlene Nery Ribeiro em Baliza - GO.

A MARCA
Por: José Araújo* (Em 22 de Julho de 2026)
Não existe amor mais bonito, mais vivo e imortal que o amor de mãe. É um amor que não precisa de palavras para existir; um sentimento silencioso que é, antes de tudo, porto, conforto e paz.
Trata-se de um querer bem capaz de passar fome para ver o filho alimentado, de sentir frio para poder aquecê-lo. A mãe se esquece de si mesma na lembrança constante do ser que trouxe ao mundo. Por isso, quando ela parte, deixa uma presença que jamais cessa.
A lembrança traz a saudade do aconchego que se perdeu. Quando o mundo lá fora ruge na sua loucura habitual, por dentro um silêncio profundo — aquela saudade que inunda a alma e transborda em lágrimas pelas pálpebras.
E as coisas que ela usava? E as plantinhas que cuidava? Os detalhes de que tanto gostava e a própria casa em que morou? Quem ainda tem a mãe ao lado, talvez não consiga compreender totalmente o alcance disso. Não consegue ver nem perceber que essa ligação se manifesta em tudo ao redor e que o tempo não é capaz de apagar.
Deus quis assim. Deixou-nos uma marca no meio do abdômen para nos lembrar, em cada segundo da vida, desse elo sagrado que o tempo jamais conseguirá apagar.
*José Araújo é escritor, palestrante e Diretor Geral da Web Rádio e TV Terra Nova.

ARTE LITERÁRIA
Por: José Araújo* (Em 17 de Junho de 2026)
A literatura é a arte por excelência, sobretudo pela sua capacidade de permanecer no tempo. Diferente da música, da pintura ou da escultura, a palavra escrita conversa com o leitor de um modo tão íntimo que o transporta para dentro da narrativa. Faz-nos viver emoções, lugares e momentos tão verossímeis que, ao fechar o livro, sentimos uma irresistível vontade de voltar — ou uma doce melancolia pelo fim da viagem. Ao equilibrar a realidade e a ficção, muitos experimentam uma catarse tão profunda que as lágrimas brotam, enquanto a alma navega livre pelo universo do faz de conta.
A boa literatura nos conecta com o que há de mais humano em nós: a imaginação, o traço que nos distingue dos outros animais. É ela que nos permite não apenas sonhar com o maravilhoso, mas realizar e dar forma ao pensamento e à vontade, sempre guiados por uma grande ideia.
Neste contexto, amigo leitor — a quem agradeço pela preciosa atenção — compartilho uma história de amor. Este texto também faz parte do livro Turismo Rural: causos e contos do sertão goiano, de minha autoria, que agora divido com você.
QUEM É A MULHER QUE ELE AMOU
Nesse dia de sábado, como de costume, o jovem visitante encontrou o Pai João passando o café.
— Entra meu filho, como vai?
— Bem, Pai João. Como sempre querendo saber mais.
— Muito bom!
— Outro dia o senhor me contou uma história emocionante de um sonho que teve sobre o tempo de Jesus. Será que não teria outra como aquela para me contar? Sorrindo Pai João responde:
— Tenho sim, só que esse não foi um sonho, foi uma palestra que ouvi a uns 14 anos já, no Estado da Bahia quando estive a visitar os familiares que ainda estão lá.
— Que bom Pai João, estou ouvindo de bom gosto.
Sentando a mesa junto a costumeira visita matinal que o acompanhava no café quase diariamente começa a narrar.
Ouvi essa história na Mansão do Caminho, uma instituição de caridade mantida por um grande filantropo da cidade de Salvador na Bahia.
Dizia ele que naquela época havia uma jovem na cidade de Magdala, que atendia pelo nome de Maria, das moças com seus floridos quinze anos era a mais bela da região. Olhos azuis como o firmamento em dia claro. Trazia na alma um sonho de amor puro, onde pudesse dedicar sua vida a um sentimento que transbordava em esperança e ventura, essa doce perspectiva reinou em seu mundo íntimo até o contado da desilusão que a alcançou pelas mãos inescrupulosas de um fidalgo que a iludiu e abusou.
Desonrada pelos costumes patriarcais da época, tida como indigna das venturas de um lar, sem abrigo, ou amparo de qualquer gênero não lhe restou outra opção a não ser usar o corpo para suprir as necessidades urgentes de manutenção da vida, uma vez que não encontrou trabalho digno na cidade ou região, as matriarcas tinham receio de contratá-la pela paixão que poderia despertar nos companheiros.
Em pouco tempo, com o cortejo de clientes abastados que a presenteava com verdadeira fortuna, estava às vésperas dos 21 anos de idade entre as mulheres mais ricas da região, mas também entre as mais infelizes! Sentia no íntimo um vazio indefinível, uma tristeza que a fazia desacreditar do sonho de infância de conhecer o verdadeiro amor.
As poucas notícias que tinha da existência de Jesus a fazia fervilhar a mente, que poderia ajudá-la a vencer a desventura existencial, a reencontrar o sentido da vida de outrora, seu coração sensível enchia-se de esperança, buscando no horizonte como uma oração silenciosa a possibilidade de viver esse encontro e uma nova vida.
Passados alguns meses, tem a notícia que Jesus passaria por Magdala, espera ansiosa sua chegada, mais como o conheceria? Quem seria ele? Não seria outro a iludir o coração? Dúvida, ansiedade e euforia tomava conta dela.
Ao saber que Ele entrava na cidade, foi ao seu encontro, mais não teve sucesso em vê-lo, voltou decepcionada a ampla e confortável casa que mantinha na região alta da cidade onde também recebia seus convidados para os banquetes, entre eles, príncipes, nobres e diversas personagens do alto clero da época.
Ao entardecer avista uma pequena comitiva de homens simples, que parecia cortar a cidade em direção desconhecida, no meio deles um rosto familiar para ela, de longe seu coração acelerou, então adivinhando que poderia ser o mestre vai ao seu encontro e diz:
— Nazareno! Sei que tu és nazareno, pela moda que tens os cabelos e as vestes, deves estar cansado pois viestes de longe, sei que vens de longe, pois trás os pés empoeirados do caminho. Nazareno quero te convidar a minha casa para que possa se lavar e descansar do caminho. Jesus permanece em silêncio. Olha em seus olhos claros, iluminados por um amor desconhecido até então, mais almejado desde a infância. Ansiosa por uma resposta positiva, reforça o convite com mais ênfase.
— Nazareno belo, venha aos meus aposentos, hoje é meu aniversário e darei uma festa! Venha! Você é meu convidado. Então o mestre, com a paz e suavidade habituais responde.
— Não posso.
— Nazareno! Venha! Insiste Maria de Magdala. Terei príncipes, reis, legionários em meu jantar e Tu será meu convidado de honra. Jesus mantém o silêncio. Mais aflita pela recusa, ela continua.
— Colocarei duas escravas nuas a dançar para ti e não te pedirei nada. Venha!
— Hoje não posso! Mas eu irei.
Então Maria entristecida deixa o grupo que seguiu pelo caminho, guardando na alma a imagem do homem mais bonito que ela já viu em toda vida, e o dia que ele iria retornar.
Passaram-se os anos e Jesus não retornará. Todos os dias no mesmo horário aguardava a volta daquele que para ela era o ser que ela amava desde a infância sem ao menos conhecer, mas sabia que existia.
Perdera o gosto pelos festejos, depois daquele dia, não recebeu mais ninguém em sua casa, por mais tentadores que fossem os presentes e apelos, recusava todos. Muitos achavam que ela havia perdido o juízo por recusar príncipes e senhores da alta sociedade e porque não mais dava as festas que tanto alegram os patrícios.
Em pouco tempo foi acometida pela lepra, que somada à depressão persistente a fez pobre novamente, abandonada por todos, menos por uma amável serva que a tinha em conta de filha muito amada. Esvaiu-se sua beleza, fugia da presença de todos. Então certa vez estava Jesus novamente pregando na cidade de Magdala e chegou alguém a seu ouvido e disse algo. De pronto Ele respondeu:
— Hoje eu vou! Pergunta onde ela está e a serva amada indica o caminho. O mestre caminha por uma trilha pedregosa, coberta por lodo e espinhos até chegar à entrada de uma caverna. Percebendo que alguém se aproximava, Maria grita tresloucada do fundo da caverna.
— Vá embora! Não tenho mais o que procuras! Vá embora, acabaram os perfumes, o carinho, minha saúde. Chora convulsivamente. Jesus ignorando os apelos entra na caverna escura, considerando o odor desagradável, o contraste do sol externo com o frio e a escuridão do local causa vertigem, vai apalpando as paredes da caverna e a encontra finalmente tocando em sua cabeça purulenta, ao ponto que sente os cabelos a soltarem em suas mãos. Maria de Magdala, percebe pelo perfume ser o homem amado de seus sonhos e sua dor aumenta.
— Nazareno belo! Tu vieste, porque demoraste tanto, é tarde para nós, já não tenho mais saúde, veja o que os homens fizeram comigo. Te desejei noite e dia, minha vida não fez mais sentido depois que foi embora. Agora é tarde para nós, por favor me deixe! Vá embora!
Jesus sem dar uma palavra, a encosta no peito magro e forte e a leva para fora. Ela quase desfalecida, tinha a pele apodrecida pela lepra, com feridas purulentas e fétidas por todo corpo. Fecha os olhos azuis em reação à luz solar daquela tarde clara e triste. Jesus com seu amor incomparável tira a mão dela do rosto que tentava esconder a todo custo e diz:
— Eu disse que viria, já que teu corpo não te serve mais para nada, dê-me a tua alma. Porque eu também te amo!
Maria profundamente emocionada, grossas lágrimas correram por seu rosto, retira das últimas forças vitais a tentativa de um sorriso e falece nos braços Dele.
— Nossa Pai João! Obrigado, vou contar aos quatro ventos essa belíssima história.
— Conte meu filho é preciso que o mundo saiba.
*José Araújo é escritor, palestrante e Diretor Geral da Web Rádio e TV Terra Nova.
