A virada digital da campanha progressista no segundo turno começou a se traduzir em intenção de voto. Dados de monitoramento de redes e das últimas pesquisas registradas no TSE mostram uma correlação direta entre o domínio nas plataformas e a recuperação de votos válidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Levantamento da empresa Bites, obtido pelo O Globo, revela que na primeira semana do segundo turno, entre 4 e 11 de outubro, o engajamento de influenciadores ligados a Lula cresceu 783% nas plataformas da Meta, contra apenas 162% dos perfis associados à direita. No recorte exclusivo do Instagram, o salto foi ainda maior: 1.195% para a esquerda contra 241% para a direita.
O pico ocorreu após o debate da TV Band no domingo (18). Nas 24 horas seguintes, segundo a Bites, Lula registrou 25,5 milhões de interações contra 5 milhões de Flávio Bolsonaro (PL) – cinco vezes mais. Foram 9,5 mil publicações, memes e cortes sobre Lula contra 7 mil sobre Flávio, e 176 mil novos seguidores conquistados em um dia. No WhatsApp, o canal "Exército do Lula", comandado por André Janones, alcançou nesta quarta (22) a marca de 8.002.710 seguidores, contra 2.094.574 da "Tropa do Flávio".
Esse domínio com folga nas redes refletiu nas pesquisas de intenção de voto.
No dia 8 de outubro, o Datafolha apontava Flávio com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula – 4 pontos de vantagem. No dia 15, a diferença caiu para 51% a 49%. Na rodada divulgada nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno, o instituto registrou empate numérico: 50% a 50% nos votos válidos, com margem de erro de 2 pontos. Nos votos totais, Flávio tem 47% e Lula 46%.
A trajetória é a mesma nos demais institutos. A AtlasIntel reduziu a vantagem de Flávio de 5,6 pontos para 2,2 pontos entre 9 e 19 de outubro. A Quaest do dia 21 aponta 45% a 44% nos votos totais, dentro da margem de erro.
Segundo a análise do cientista político Renato Dolci, da Dados Timeless, o motor desse engajamento é a mobilização contra a rejeição ao adversário e a pauta da democracia, com foco em trazer de volta o eleitor que se absteve no primeiro turno – exatamente a estratégia defendida por Lula no ato da Avenida Paulista do dia 11, que reuniu 7 quarteirões lotados, da Haddock Lobo à Joaquim Eugênio de Lima, com registro em drone da GCM.
A mobilização nas ruas e o domínio nas redes caminham juntos. Se antes a direita liderava com 25 milhões de interações semanais contra 11,5 milhões da esquerda, hoje o campo progressista produz 25,5 milhões em apenas 24 horas.
A dois dias da votação, a tendência mostra que a soberania popular nas redes está impulsionando a recuperação de Lula nos votos válidos.
Fonte: Bites/O Globo.
Da Redação.